Correr em Tóquio: a capital do Oriente
- audreyubertino
- há 4 dias
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Aninhada na baía com o mesmo nome, Tóquio é uma megalópole em expansão, no centro da área urbana mais populosa do mundo. Vista do céu, parece estender-se até ao centro de Honshu, a ilha principal. No entanto, correr pelo coração deste imenso labirinto de betão levá-lo-á a descobrir bairros de negócios lineares e ruelas sinuosas. No seio destes, convivem templos xintoístas e «maid cafés», parques sumptuosos e arranha-céus...

«Tóquio funciona a duas velocidades. Por um lado, as enormes artérias, as pontes de betão, as marés humanas. Por outro, os bairros minúsculos, as ruelas escuras ladeadas por fachadas cegas e faixas esvoaçantes.»
Esta citação da obra Kaïken, de Jean-Christophe Grangé, resume o ambiente da capital japonesa. Por um lado, existem vários bairros de negócios, com passeios largos, que permitem, fora da hora de saída dos escritórios, correr durante quilómetros.
Por outro lado, no coração da moderna Shinjuku, rodeada por arranha-céus, esconde-se o Golden Gai. Um bairro minúsculo, ladeado por um templo, composto por pequenos edifícios de dois andares, muitas vezes em ruínas e colados uns aos outros. Este ponto de referência da vida noturna de Tóquio, repleto de bares minúsculos, é um dos raros vestígios da arquitetura da cidade anterior à Segunda Guerra Mundial, na sequência da qual o plano da cidade foi totalmente redesenhado.
Asakusa, entre a tradição e o turismo de massa
A nordeste de Tóquio situa-se o bairro de Asakusa, conhecido pelo seu templo budista, o Sensō-ji. Dedicado aos deuses do vento e do trovão, Fujin e Raijin, é frequente encontrar-se por lá japoneses vestidos com trajes tradicionais. Repleto de lojas de artesanato que vendem quimonos, utensílios de cozinha ou até mesmo alimentos falsos feitos de cera, o bairro é muito procurado pelos turistas, apesar da sua localização afastada do centro.

Asakusa acolhe também cerca de vinte geishas, que talvez encontre durante a sua corrida. Ao correr alguns minutos, chegará rapidamente à torre Skytree. Com 634 metros de altura, esta torre destinada à radiodifusão está aberta ao público e oferece aos viajantes duas plataformas de observação. No entanto, esta subida tem um custo, e do outro lado da cidade, em Shinjuku, encontrará uma vista panorâmica equivalente (e gratuita!) no topo do Tokyo Metropolitan Building.
Akihabara, a cidade da eletrónica
Qualquer otaku — uma versão japonófila do geek — deve visitar Akihabara, apelidada de «a cidade elétrica». No centro, perto da estação, encontra-se um imenso centro comercial que reúne as grandes marcas de eletrónica japonesas. No entanto, o seu sucesso deve-se ao facto de estar rodeado por centenas de pequenas lojas ultraspecializadas.

Ao caminhar pelas ruas, repare nos letreiros verticais: indicam-lhe em que piso poderá encontrar determinado produto.
O ambiente é igualmente eletrizante. As salas de jogos transmitem J-Pop a todo o volume, inúmeras luzes de néon piscam, enquanto as empregadas dos cafés nas redondezas chamam a atenção dos muitos transeuntes. Correr por estas ruas é, portanto, uma experiência extraordinária.
O Meiji-jingū, entre Shibuya e Shinjuku
Entre Shibuya, o bairro comercial onde se concentram as jovens japonesas, e Shinjuku, a zona de negócios repleta de arranha-céus emblemáticos, estende-se o Parque Yoyogi. Trata-se de uma verdadeira floresta urbana, no seio da qual se esconde um vasto santuário, o Meiji-jingū.

Em comparação com o templo vermelho e dourado de Asakusa, o Meiji-jingū é uma ode à sobriedade japonesa. Os seus portais (torii) não apresentam decorações, com exceção de três pedras redondas douradas na viga principal. O resto do templo, em madeira escura, contrasta com os telhados verdes e as árvores circundantes.

Durante um passeio pela zona oeste da cidade, pode assim deixar para trás a agitação do cruzamento de Shibuya para se aventurar no Parque Yoyogi e ter a sensação de entrar num filme do Estúdio Ghibli.
A partir daí, depois de, por exemplo, ter realizado as abluções rituais na antiga piscina situada à entrada do templo, volte às ruas animadas de Shinjuku, antes de se dirigir ao parque com o mesmo nome, famoso pelas suas estufas tropicais.
Pandas, palácios e jardins de Ueno
Ao ouvir o nome de Ueno, muitos toquioenses de adoção pensarão em «pandas». Aliás, mesmo que decida evitar a fila interminável à porta do recinto deles, não escapará à omnipresença destes ursídeos bicolores. Todas as lojas num raio de quase um quilómetro, desde a padaria à loja de roupa, oferecem produtos com a imagem deles! O jardim zoológico de Ueno acolhe também várias espécies mais locais, como o urso-pardo de Hokkaido. Se decidir percorrer o próprio jardim zoológico, há janelas quase invisíveis que dão para os recintos, e poderá dar de cara com este urso gigantesco (com várias centenas de quilos!) ao virar de uma ruela.

Se seguir pelo caminho que conduz ao santuário Tōshō-gū, encontrará um memorial em pedra com uma chama que arde permanentemente em memória dos bombardeamentos atómicos de Hiroshima e Nagasaki.
Mesmo ali ao lado, o palácio imperial espera por si. Rodeado por um fosso, irá encontrar-se com muitos corredores durante a sua corrida matinal.
Os aparelhos de street workout, muito comuns nos espaços verdes de Tóquio, provavelmente também serão utilizados por atletas de todas as idades.
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