Correr em Lisboa: a cidade branca no país azul
- audreyubertino
- há 19 horas
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Situada na foz do Tejo, com os pés no Atlântico, Lisboa parece ter saído de um sonho. Única capital oceânica da Europa, tudo nela evoca o sabor do mar e da viagem: os seus pescadores, o ar marinho que impregna as suas ruelas sinuosas, as suas pontes e passadiços... A cidade branca caracteriza-se sobretudo pelas suas sete colinas, sobre as quais se estende um centro urbano todo em declives. Cidade de Ulisses, cidade das mil cores, a bela Lisboa brilha pela riqueza da sua arquitetura e fascina pela sua história.

“Lisboa. Vou fundir-me nela, voltarei para lá. Essas idas e vindas serão carícias, oscilações: as manhãs de Portugal, o céu azul sobre as casas, o ar do Tejo e a incerteza dilacerante que rege toda a vida portuária. Durante muito tempo, guardámos essa palavra-passe connosco e entre nós: Lisboa.”
Com estas poucas palavras, o escritor Olivier Frébourg mergulha-nos na nostalgia amorosa, esse sentimento de vazio a que os portugueses chamam saudade e que aqui ecoa o seu apego a Lisboa, cristalizando a sua melancolia e o seu desejo de outros lugares.
Muitos são aqueles que, tal como Frébourg, se deixaram seduzir pela capital e pelo inegável mistério que envolve o seu cenário. A começar pela imensa ponte suspensa do 25 de Abril, guardada pela estátua do Cristo Rei, que permite atravessar o Tejo e chegar ao coração da capital. Mas o seu carácter único deve-se também aos seus bairros de relevo acidentado. Ao passear por Lisboa, irá descobrir os famosos elétricos amarelos, bem como o elevador de Santa Justa, outros símbolos da capital, concebidos para facilitar as deslocações dos lisboetas, os habitantes de Lisboa.
O Império Português e os Grandes Descobrimentos
Caminhar pelas ruas de Lisboa é como fazer uma viagem no tempo, até à época em que Portugal era um dos impérios mais poderosos da Europa. Fundada pelos fenícios com o nome de Olissipo, Lisboa foi conquistada sucessivamente pelos gregos, pelos cartagineses e pelos romanos, antes de cair nas mãos dos árabes. Rebatizada por ocasião al-Usbuma, foi reconquistada pelos cristãos no século XII.
Embora as bases da expansão marítima tenham sido lançadas no século seguinte, durante o reinado de Afonso III, foi no século XVI que o país viveu a sua época dourada, marcada pelas expedições marítimas das Grandes Descobertas. A começar por Vasco da Gama, que partiu à descoberta da rota para as Índias a 8 de julho de 1447, ou ainda Magalhães, que empreendeu a primeira volta ao mundo à vela. Tendo-se tornado mestre na arte da navegação e da cartografia, e centro comercial mundial que tirava partido das riquezas mineiras do Brasil descobertas por Cabral em 1500, Lisboa prosperou.
A Torre de Belém é, juntamente com o Mosteiro dos Jerónimos, um símbolo desse período. Ambos construídos sob o reinado de D. Manuel I, no início do século XVI, o primeiro foi erguido como ponto de defesa, enquanto o segundo albergava monges encarregados de prestar assistência aos marinheiros que partiam à conquista do mundo.

Em 1755, um terramoto seguido de um maremoto reduziu a cidade a ruínas. O Marquês de Pombal aproveitou a ocasião para reconstruir a cidade lusitana segundo planos regulares, característicos dos princípios de urbanismo da época. Entre os bairros medievais, apenas um sobreviveu à destruição...
Alfama, o bairro histórico
Com vista para o bairro de Alfama, o Castelo de São Jorge foi construído pelos visigodos no mais alto dos sete morros de Lisboa, tendo servido durante vários séculos como residência real.

Aos seus pés estende-se um labirinto de ruas estreitas com fachadas coloridas, herança da conquista muçulmana, nas quais ressoam os cantos melancólicos do Fado.
Famosa pelas suas festas, as festas de Lisboa, e pelo seu ambiente intimista, Alfama é também apreciada pelas suas águas termais, bem como pelos seus tesouros arquitetónicos, como o Panteão Nacional do Portugal, uma antiga igreja do século XVI reconvertida no início do século XX, que constituirá um ponto de referência fiável durante a sua corrida. Vários miradouros oferecem ao visitante vistas panorâmicas sobre a cidade. É o caso da Miradoura das Portas do Sol, que se debruça sobre os telhados típicos de Alfama, bem como sobre a imensa cúpula do mosteiro de São Vicente de Fora, famoso pela sua arquitetura de estilo maneirista. A catedral de Santa Maria Maior, a igreja mais antiga da capital, não fica atrás e ergue-se majestosamente numa mistura de estilos românico e gótico.
Um património natural excecional
A oeste do centro da cidade estende-se um dos maiores parques públicos do mundo, o Parque Florestal de Monsanto. Com uma área de 10 km², é ideal para recarregar baterias, mas também para correr, à sombra dos pinheiros, carvalhos e eucaliptos.

A Serra da Arrábida, situada a 40 quilómetros a sul de Lisboa, é considerada o paraíso português e um dos locais mais bonitos do país. Praias paradisíacas, falésias vertiginosas, castelos centenários e miradouros de tirar o fôlego: o parque natural e a sua serra oferecem paisagens excecionais, para descobrir a pé ou a correr!
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