Correr em Estocolmo: o arquipélago-capital
- audreyubertino
- 20 de jul.
- 4 min de leitura
Frequentemente apelidada de «Veneza do Norte», Estocolmo está construída sobre várias ilhas — 14, para ser mais preciso — espalhadas entre o lago Mälar e o mar Báltico. Com os seus 1,3 milhões de habitantes, é simultaneamente a maior metrópole da Suécia e a sua capital. Tão conhecida pelos seus invernos rigorosos e sem sol e pelos seus verões intermináveis como pelo seu estatuto de cidade verde, é também frequentemente citada como um exemplo em matéria de igualdade e direitos humanos, e a sua influência cultural, em particular na Europa, é considerável.

A Síndrome de Estocolmo define-se como «a criação de um laço de apego, ou mesmo de amor, entre uma vítima e o seu agressor, desenvolvido de forma inconsciente». Inspirado num caso noticioso ocorrido na capital durante um assalto a um banco, o fenómeno tornou famoso, na linguagem corrente, o nome de Estocolmo.
Mas a capital está longe de se limitar a esta imagem de vítima. A sua fama assenta, acima de tudo, no seu caráter ambivalente: ao mesmo tempo enraizada nas tradições e aberta ao mundo, a cidade é tão tranquila e organizada quanto enérgica e vanguardista, alternando entre natureza e urbanismo.
Entre a modernidade e a tradição
Situada num cenário natural fabuloso, um arquipélago com cerca de vinte e quatro mil ilhas e ilhéus, Estocolmo assemelha-se a uma cidade encantada, composta por palácios, igrejas e casas erguidas sobre a água. É aqui que se situa a sede do governo e que reside o chefe de Estado, o rei Carlos XVI Gustavo, mais precisamente no bairro histórico de Gamla Stan, fundado no século XIII na ilha de Stadshomen. As ruelas sinuosas da cidade velha conduzem-no até à praça de Stortorget e ao monumental palácio real, passando pela Casa da Nobreza, antiga Câmara dos Estados Gerais que se tornou uma instituição privada que reúne a nobreza sueca.

Apesar de serem fervorosos defensores da monarquia, os habitantes de Estocolmo não deixam de ser progressistas e inovadores. Este caráter reflete-se, nomeadamente, no seu gosto pela arte e pelo design. Atenção aos amantes de decoração e arquitetura: rumo a Norrmalm, o centro nevrálgico da cidade, onde se encontram a estação central e o seu comboio ultramoderno, restaurantes inovadores e inúmeras galerias de design. Nesta matéria, os bairros de Södermalm e Östermalm não ficam atrás, enquanto o bairro ecológico de Hammarby constitui o exemplo perfeito do urbanismo sueco. Para lá chegar, basta atravessar uma das 53 pontes da cidade! Síntaxe entre o classicismo e a modernidade, a Biblioteca Municipal de Estocolmo é a quintessência do paradigma da metrópole. Encontrá-la-á ao passear pelas ruas do bairro de Vasastan.
História e cultura
Fundada por Birger Jarl com o objetivo de proteger o país de invasões e pilhagens, Estocolmo rapidamente ganhou fama de cidade próspera. Foi proclamada capital em 1419: a partir dessa altura, a cidade não parou de crescer, tanto durante a União de Kalmar como no reinado da dinastia Vasa. Este crescimento abrandou a partir do século XVIII, durante os conflitos provocados pela Grande Guerra do Norte.

Existem muitos monumentos notáveis que datam desta época. É o caso do Castelo de Drottningholm, situado nos arredores de Estocolmo, que, juntamente com o cemitério de Skogskyrkogården, constitui um dos dois locais da cidade inscritos no Património Mundial da UNESCO.
Entre os edifícios mais bonitos da cidade encontra-se também a Ópera Real da Suécia, um edifício de estilo neoclássico que data do século XIX, mas cuja origem remonta ao início do século XVIII. No que diz respeito à música, a cidade destaca-se ainda pela fama da sua orquestra, a Orquestra Filarmónica Real de Estocolmo.
Por fim, a cidade, que foi Capital da Cultura em 1998, conta com mais de uma centena de museus. Alguns deles estão situados na ilha de Djurgården, como o Museu Vasa, o Museu Skansen ou ainda o Museu Nórdico.
Uma cidade na vanguarda do progresso
Quer se trate de igualdade e direitos, quer de ecologia, a capital sueca parece assumir um papel de vanguarda a nível internacional. Albert Camus proferiu ali os seus discursos quando recebeu o Prémio Nobel da Literatura, uma cerimónia criada pelo inventor sueco Alfred Nobel. A ativista ambiental Greta Thunberg também é natural desta cidade!

Os habitantes de Estocolmo baseiam o seu dia-a-dia num estilo de vida muito ecológico. Ilhas inteiramente pedonais, trilhos para caminhadas, autocarros a biogás, atividades ao ar livre, ciclovias e parques a perder de vista: a cidade parece ter sido concebida com esse objetivo em mente.
Durante a sua corrida, não deixe de visitar a ilha de Djurgården (e os seus museus), um oásis de vegetação que outrora foi o terreno de caça dos reis da Suécia. A ilha de Södermalm, por sua vez, conta com cerca de 60 parques, um recorde! Ao caminhar até ao palácio real, é possível, entre outras coisas, pescar salmão. Um facto ainda mais notável é que Estocolmo é a primeira capital do mundo a possuir um parque nacional. Este, imenso, estende-se por 27 km².
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